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O Escapulário do Carmo: os dados históricos e a posição da Igreja

 O Escapulário do Carmo: os dados históricos e a posição da Igreja

Conta-se que, no século XIII, um dos primeiros líderes da ordem carmelita foi agraciado com uma visão da Virgem Maria. São Simão Stock teria recebido de Nossa Senhora do Carmo a seguinte mensagem:



“Recebe meu filho, este Escapulário da tua Ordem, como sinal distintivo da minha confraria e selo do privilégio que obtive para ti e para todos os Carmelitas. O que com ele morrer, não padecerá o fogo eterno.”

Essa promessa é conhecida como o “privilégio da boa morte”, o que significa ter uma morte em estado de graça, sem pecados mortais – condição que livra a alma do Inferno.

O escapulário em questão referindo era o avental que os monges de algumas ordens usavam (como os da foto abaixo), cobrindo o peito e as costas. Seu uso era muito comum na Idade Média.

Não somente os religiosos, mas também os leigos – que não podiam usar o hábito religioso – desejavam se beneficiar com a promessa de Nossa Senhora do Carmo. Então, os membros das Confrarias (grupos de leigos associados a uma Ordem religiosa) receberam a autorização de usar um modelo em miniatura do escapulário.

E assim se usa essa miniatura do escapulário, em tecido de lã castanha ou preta, suspensa em torno do pescoço; uma parte do pequeno pano caindo sobre o peito, e outra sobre as costas.

O escapulário da ordem carmelita é o mais conhecido e popular. Mas existem cinco escapulários diferentes, aprovados pela Igreja:

  • o escapulário marrom ou negro, da Ordem do Carmo;
  • o escapulário branco, da Santíssima Trindade;
  • o escapulário negro, das Sete Dores de Maria, ligado aos religiosos Servitas;
  • o escapulário azul, da Imaculada Conceição, dos Teatinos;
  • o escapulário vermelho, dedicado à Paixão do Senhor, difundido pelos Lazaristas.

Esses são os “escapulários clássicos”, de que fala o Padre Vicente Vítola, em seu livro “Os cinco escapulários”.

A devoção ao escapulário foi incentivada por diversos papas e santos. Santo Afonso de Ligório, doutor da Igreja, certa vez disse que recebeu a imposição de todos os cinco escapulários.

AS FONTES HISTÓRICAS DA APARIÇÃO

O primeiro documento (o Viridarium) que registra a aparição da Virgem Maria a São Simão data de 1430, ou seja, foi escrito quase 200 anos após a data da aparição.

O autor do documento foi o Prior Geral Carmelita, João Grossi. Ele não apresenta documento algum para fundamentar o seu relato, infelizmente.

Para tentar tapar esse “buraco” na documentação histórica da aparição, alguém provavelmente forjou uma carta circular de São Simão Stock aos religiosos de sua Ordem, em que o santo relatava a aparição e as palavras de Maria. Em 1642, esse documento apareceu pela primeira vez em público. Este documento teria sido ditado pelo santo a seu secretário, Pe. Swanyngton.

Os historiadores modernos negam a autenticidade dessa carta, inclusive os Carmelitas (cf. Annales Ord. Carm. 1927 e 1929).

O PRIVILÉGIO SABATINO É CREDÍVEL?

É muito difundida a história de que, 70 anos após a aparição a São Simão, a Virgem do Carmelo teria aparecido ao Papa João XXII.

Diz-se que, naquela ocasião, Maria confirmou a promessa a São Simão e acrescentou outro privilégio, conhecido como privilégio sabatino: mediante determinadas condições, a alma do devoto do escapulário do Carmo será livre do Purgatório se lá estiver, no sábado a seguir à sua morte.

João XXII teria comunicado essa graça à Ordem do Carmo por meio da bula Sacratissimo uti culmine, de 3 de março de 1317.

O problema é que muito provavelmente essa bula nunca existiu!

O primeiro autor que a deu a conhecer a existência dessa suposta bula foi o Carmelita Balduíno Leersius, em 1461. Ou seja, por mais de 140 anos, simplesmente não há qualquer menção á citada bula na História da Igreja.

Esse documento é tão suspeito que não foi defendido nem mesmo pelo mais importante historiador da Ordem carmelita, o Pe. Zimmermann (autor do Monumenta Historica Carmelitana).

BÊNÇÃO E IMPOSIÇÃO

Para alcançar os privilégios e indulgências do escapulário é necessário receber a imposição ritual por meio de qualquer sacerdote.

Portanto, o escapulário é bento, é um SACRAMENTAL, ou seja, um objeto que comunica a graça de Deus de forma eficaz a quem o usa com fé e caridade.

Antigamente, somente os padres carmelitanos tinham autorização para impor o escapulário de sua Ordem. Até que, em 28 de janeiro de 1964, o Papa Paulo VI concedeu que todos os sacerdotes pudessem impor o escapulário e substitui-lo pela respectiva medalha.

Quando precisar substituir o escapulário (por já estar muito desgastado) não precisa fazer uma nova imposição ou bênção.

Qualquer católico pode receber o escapulário, inclusive as crianças.

A MEDALHA QUE SUBSTITUI O ESCAPULÁRIO

O Papa Pio X, em 16 de dezembro de 1910, concedeu que o escapulário, uma vez imposto, pudesse ser substituído por uma medalha que tenha de um lado a imagem de Nossa Senhora e, do outro lado, o Coração de Jesus.

Basta que essa medalha seja benzida com o simples sinal da cruz, na intenção de substituir o escapulário.

A CONDIÇÃO PARA RECEBER A GRAÇA DO ESCAPULÁRIO

Deve-se usar o escapulário dia e noite, tirando-o somente para entrar no banho.

É óbvio – mas não é demais notar – que uma pessoa que não luta contra o pecado e não busca viver os valores do Evangelho não se beneficiará em nada se morrer usando o escapulário.

Para ter uma boa morte e receber a assistência especial da Virgem Maria é preciso ter boas disposições espirituais.

OS PAPAS E O ESCAPULÁRIO DO CARMO

Um decreto do Santo Ofício, de 15 de fevereiro de 1615 (sob o Papa São Paulo V) e renovado pela S. Congregação das Indulgências a 1° de dezembro de 1885, pontua o julgamento do Magistério sobre o assunto: admite que a Virgem Maria recobrirá com a sua proteção materna, principalmente no sábado, as almas daqueles que na terra tiverem sido seus fiéis servos.

NOTE BEM: o texto do Santo Ofício não fala de tirar a alma do Purgatório, muito menos diz que isso acontecerá no primeiro sábado após a morte.

Em julho de 1908, a S. Congregação aprovou uma Súmula de indulgências e privilégios concedidos à Confraria do Escapulário do Carmo, em que se lê o seguinte:

O privilégio comumente chamado sabatino, de João XXII, aprovado e confirmado por Clemente VII, Ex clementis, aos 12 de agosto de 1530, por Pio V, Superna dispositione, aos 18 de fevereiro de 1566, por Gregório XIII, Ut laudes, aos 18 de setembro de 1577, e por outros, assim como pelo decreto da S. Inquisição Romana sob Paulo V, aos 20 de janeiro de 1613, declara: “É permitido aos Padres Carmelitas pregar que os fiéis podem admitir a piedosa crença no auxílio concedido após a morte aos Religiosos e confrades da Associação de Nossa Senhora do Monte Carmelo”. Com efeito, é permitido crer que a SSma. Virgem socorra às almas dos Religiosos e confrades falecidos em estado de graça, contanto que tenham trazido durante a vida o escapulário, tenham guardado a castidade do seu estado e recitado o Ofício Parvo da Virgem ou, se não sabem ler, tenham observado os jejuns da Igreja e praticado a abstinência de carne às quartas e sábados, a menos que a festa de Natal caia num desses dias. As orações contínuas de Maria, seus piedosos sufrágios, seus méritos e sua especial proteção lhes são assegurados após a morte, principalmente no sábado, que é o dia consagrado pela Igreja à SSma. Virgem.

Nesse texto da súmula, fica muito claro que:

  • a Igreja aprecia o uso piedoso e fiel do escapulário do Carmo;
  • ao mesmo tempo, não cita nem endossa a suposta aparição de Maria a São Simão, nem menciona a duvidosa bula de João XXII, que fala do privilégio sabatino.

Desde o século XVI, diversos papas aprovam e incentivam o uso do escapulário do Carmo. E inclusive enriqueceram essa devoção com diversas indulgências.

O uso do escapulário ajuda a pessoa a fazer memória de seu pertencimento a Deus, e de seu seu compromisso com os ensinamentos de Jesus Cristo.

Porém, as promessas anexas à devoção estão no âmbito das revelações particulares, e cada fiel é livre para crer ou não.

fonte:

https://ocatequista.com.br/catequese-sem-sono/catequese/item/18354-o-escapulario-do-carmo-dados-historicos-e-posicao-da-igreja

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