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O Escapulário do Carmo: os dados históricos e a posição da Igreja

  Conta-se que, no século XIII, um dos primeiros líderes da ordem carmelita foi agraciado com uma visão da Virgem Maria. São Simão Stock  teria recebido de Nossa Senhora do Carmo a seguinte mensagem: “Recebe meu filho, este Escapulário da tua Ordem, como sinal distintivo da minha confraria e selo do privilégio que obtive para ti e para todos os Carmelitas. O que com ele morrer, não padecerá o fogo eterno.” Essa promessa é conhecida como o “privilégio da boa morte” , o que significa ter uma morte em estado de graça, sem pecados mortais – condição que livra a alma do Inferno. O escapulário em questão referindo era o avental que os monges de algumas ordens usavam (como os da foto abaixo), cobrindo o peito e as costas. Seu uso era muito comum na Idade Média. Não somente os religiosos, mas também os leigos – que não podiam usar o hábito religioso – desejavam se beneficiar com a promessa de Nossa Senhora do Carmo. Então, os membros das Confrarias (grupos de leigos as...
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Relativistas!

  São João Paulo II e Bento XVI denunciaram os erros da ditadura do relativismo. O papa polonês nos legou a Encíclica Veritatis Splendor (VS), e o papa alemão falou contra o relativismo já na sua primeira homilia como pontífice, em 2005. Mas o que é esse tal relativismo? Basicamente, a VS esclarece que é: negar a existência de um conteúdo moral específico e determinado, universalmente válido e permanente; a ideia de que a consciência de cada um não é uma fonte autônoma e exclusiva para decidir o que é bom e o que é mau, o que é verdade ou falsidade; afirmar que o que é bom ou mau pode variar conforme a cultura, e isso vale para toda e qualquer questão moral; dizer que nenhuma doutrina moral é definitiva, e que toda lei moral da Igreja pode mudar conforme o tempo e os costumes. Graças a esse esclarecimento, vemos muitos católicos empenhados em não deixar a verdade católica ser deturpada pelos erros da ditadura do relativismo. Porém, muitos desses bons católicos nem sempre ...

O Papa: mesmo quem não tem fé pode ser alguém que procura Deus

Leão XIV responde na edição de fevereiro da revista “Piazza San Pietro” à carta de um homem que se define como “um ateu que ama a Deus”: o verdadeiro problema não é acreditar ou não acreditar em Deus, mas buscá-lo, e é aí que reside a dignidade e a beleza da nossa vida “Não pode ser ateu quem ama a Deus, quem O busca com coração sincero”. Assim responde o Papa Leão, citando Santo Agostinho, a Rocco de Reggio Calabria - sul da Itália -, que enviou uma carta à revista “Piazza San Pietro”, editada pela Basílica Vaticana. Na edição de fevereiro, o Pontífice agradece pela poesia de Rocco, que pede ajuda e questiona se é possível definir-se ateu e, ao mesmo tempo, amar a Deus. Encontrar Deus dentro de si mesmo “Acredito que não acredito, absolutamente certo do nada, continuo a ansiar por Deus. O meu drama – acrescenta Rocco na sua poesia – é Deus! A minha inquietação é Deus!”. “O que você afirma – responde o Papa – me fez lembrar imediatamente o que meu amado pai Santo Agostin...

O Papa: quando desarmamos nossos corações, crescemos na caridade

  Leão XIV recebeu os participantes de uma iniciativa promovida pelo Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, destinada a jovens sacerdotes e monges das Igrejas Ortodoxas Orientais. Ele enfatizou que "as diferenças históricas e culturais em nossas Igrejas constituem um mosaico esplêndido de nossa herança cristã comum". "A unidade dos cristãos torna-se também um fermento para a paz na terra e a reconciliação de todos".   O Papa recebeu em audiência, nesta quinta-feira (05/03), na Sala Clementina, no Vaticano, os jovens sacerdotes e monges das Igrejas Orientais, em visita de estudo a Roma e ao Vaticano, representantes das Igrejas ortodoxas armênia, copta, etíope, eritreia, malankara e siríaca. A visita de estudo foi organizada pelo Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos.   "Espero que tenham gostado desta visita, que lhes deu a oportunidade de aprender mais sobre a Igreja Católica, em particular sobre a Cúria Romana e as instit...

Cardeal Dolan: devemos recuperar uso do crucifixo e consagrar casa ao Sagrado Coração

    “Tenho refletido sobre certas práticas que acho que valem a pena recuperar na nossa vida católica”. O Cardeal Timothy Dolan, Arcebispo Emérito de Nova York, convidou os fiéis a resgatarem algumas práticas tradicionais católicas. “Tenho refletido sobre certas práticas que acho que valem a pena recuperar na nossa vida católica. Ontem falei sobre ter um crucifixo em casa. Que simples!”, disse o cardeal em um vídeo publicado nesta quinta-feira, 15 de janeiro, em sua conta no X. “A Cruz é o centro da nossa vida, o centro da Salvação. Quando temos o Crucifixo em nossa casa, estamos a dizer a nós mesmos e aos nossos vizinhos que este é um lar cristão, uma família católica, e olhamos para Jesus como nosso guia e nosso Salvador”. “E aqui está outra bela tradição católica. Vocês se lembram? Consagrar nossos lares ao Sagrado Coração de Jesus”, acrescentou o purpurado. O cardeal recordou que foi o próprio Jesus quem pediu isso, ao aparecer no século XVII a Santa Margarid...

Quem é São Brás?

  Bispo e mártir em 316, São Brás era um dos santos mais celebrados e reconhecidos por sua poderosa intercessão. Inicialmente renomado médico e cristão virtuoso, ele foi escolhido pelo povo para se tornar bispo de Sebaste, na Armênia, onde era muito estimado. Porém, movido por inspiração divina, abandonou sua posição episcopal para viver em solidão numa montanha. Lá, os animais selvagens se tornaram seus companheiros, visitando-o diariamente e recebendo sua bênção para a cura de seus males. Descoberto pelos pagãos nesse retiro inabitual, surpreenderam-se ao encontrar um homem em paz na presença de leões, tigres, lobos e ursos. Ele foi denunciado ao governador, que, após inúteis interrogatórios, ordenou que fosse preso e torturado. Dias mais tarde, foi mandado de volta ao tribunal. Após ser jogado em um lago para afogar-se, fez o sinal da cruz e caminhou sobre as águas, causando grande espanto. O governador furioso o condenou à decapitação. Antes de apresentar a cab...

Leão XIV: proclamar a fraternidade que é mais forte do que diferenças e conflitos

   Na mensagem para o Dia Mundial da Fraternidade Humana e por ocasião da apresentação do Prêmio Zayed dedicado a ela, o Papa a indica como uma “necessidade urgente”, mais forte que conflitos, diferenças e tensões. No entanto, adverte que “permanecer no campo das ideias representará a ruína” também dessas aspirações. Por fim, exorta a considerar “o outro” como irmão e irmã, e nunca como “instrumento” ou “ameaça”.  O abstrato “campo das ideias”, a comunhão arquivada como “utopia de outros tempos”: visões distantes, às quais se contrapõe a “necessidade urgente” de uma fraternidade mais forte do que conflitos, diferenças e tensões. É esse o contraste que o Papa Leão XIV enfatiza na mensagem publicada nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, por ocasião do Dia Internacional da Fraternidade Humana e da apresentação do Prêmio Zayed a ela dedicado.  A necessidade urgente da fraternidade O Papa recorda o sétimo aniversário da assinatura do Documento sobre a Fraternid...

Quando desmontar o presépio de Natal?

   Acontece todo ano: vem a Epifania e todo o mundo começa a desmontar as decorações de Natal. Os Magos são quase como aqueles convidados de última hora, que recebemos muito a contragosto e que já queremos mandar embora o quanto antes…  Acontece todos os anos: vem o Dia de Reis e todo o mundo começa a desmontar as decorações de Natal. Presépio, árvore, guirlanda… tudo é guardado de novo. O pressuposto é de que, com a festa da Epifania do Senhor, cessam as comemorações natalinas. Os Magos, então, são quase como aqueles convidados de última hora, que recebemos muito a contragosto e que já queremos mandar embora o quanto antes …  “Podem voltar pra casa, senhores, a festa já acabou”.  Brincadeira à parte,  precisamos retomar o espírito verdadeiramente cristão das festas litúrgicas . E ele consiste nisto: preparar-se com muita oração e penitência para celebrar os santos mistérios, mas, depois, intensificar o máximo possível a sua comemoração. ...

Papa: cardeais formam comunidade de fé, não equipe de especialistas

   Por ocasião do Consistório extraordinário, Leão XIV celebrou a Santa Missa com os cerca de 170 participantes. Em sua homilia, reforçou o conceito de que o Colégio Cardinalício não promove agendas pessoais ou de grupo, mas está atento à humanidade sedenta de paz.   O segundo e último dia do Consistório extraordinário em andamento no Vaticano começou com a Missa presidida pelo Papa Leão XIV no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro. O Pontífice foi buscar na raiz da palavra  Consistorium, “ assembleia ”,  a inspiração para a sua homilia . O verbo consistere  pode ser interpretado como "parar": "Efetivamente, todos nós 'paramos' para estar aqui: interrompemos por algum tempo as nossas atividades e renunciamos a compromissos importantes, para nos reunirmos e discernirmos o que o Senhor nos pede para o bem do seu Povo". Para o Santo Padre, trata-se de um gesto muito significativo, profético, especialmente no contexto da sociedade f...

Quem foram os Três Reis Magos e quando visitaram Jesus?

   Os “sábios do Oriente” que vieram adorar Jesus em Belém (cf. Mt 2 ) são chamados “Magos” (do latim Magi ; grego μάγοι, magoi ).  Mas quem foram realmente? Eram reis? E quais foram as circunstâncias de sua visita?   Os racionalistas consideram o relato evangélico como ficção; os católicos insistem que é uma narrativa factual, tomando por evidência todos os manuscritos e versões da Escritura, bem como as citações dos Santos Padres . Os racionalistas consideram irrelevante todas essas evidências; eles classificam a história dos Magos, bem como as chamadas “lendas da infância de Jesus”, como adições apócrifas posteriores aos Evangelhos. Se considerarmos apenas as provas internas, dizem eles, tais evidências não resistem ao exame da crítica: João e Marcos não dizem nada sobre o tema . Mas isso acontece porque os seus Evangelhos começam com a vida pública de Jesus. O fato de João conhecer a história dos Magos pode ser deduzido do testemunho de Irineu ( Adv. ...

O Ano Litúrgico

  O Ano Litúrgico na Igreja Católica é um ciclo de celebrações sagradas que guia os fiéis através dos principais mistérios da fé cristã. Iniciado no Advento, ele organiza o tempo e a vida da Igreja em torno da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Cada “tempo litúrgico” tem as suas próprias características espirituais, cores e celebrações especiais, criando um calendário de renovação e proximidade com Deus ao longo do ano. Organização do Ano Litúrgico Devido à necessidade de organizar as comemorações religiosas, foi estabelecido um calendário de datas a serem seguidas, que ficou sendo denominado de “Ano Litúrgico” ou “Calendário Litúrgico”. O Ano Civil começa a 1 de Janeiro e termina a 31 de Dezembro. Já o Ano Litúrgico começa no primeiro Domingo do Advento (cerca de quatro semanas antes do Natal) e termina no sábado anterior (após a solenidade de Cristo Rei do Universo). O Ano Litúrgico está dividido em “Tempos Litúrgicos”, como veremos a seguir. O A...

Carta Apostólica “In unitate fidei” no 1.700º aniversário do Concílio de Niceia (23 de novembro de 2025)

 O Papa Leão XIV publicou, no domingo, 23 de novembro, Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, a Carta Apostólica "In unitate fidei", por ocasião dos 1700 anos do Concílio de Niceia. O texto, apresentado às vésperas da Viagem Apostólica do Pontífice à Turquia, traz como um forte apelo à renovação da fé e à unidade dos cristãos.       Carta Apostólica “In unitate fidei” 1. Na unidade da fé, proclamada desde os primórdios da Igreja, os cristãos são chamados a caminhar em concórdia, guardando e transmitindo com amor e alegria o dom recebido. Isto é expresso nas palavras do Credo: “Cremos em Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, que desceu do céu para a nossa salvação”, formuladas pelo Concílio de Niceia, primeiro evento ecumênico da história da cristandade, há 1700 anos. Ao me preparar para realizar a Viagem Apostólica à Turquia, desejo, com esta carta, incentivar toda a Igreja a renovar o impulso na profissão da fé, cuja verdade – que há séculos consti...