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A Origem das Ladainhas

Todos os Santos - Artigo de D. Sergio Castriani - publicado no Jornal Em  Tempo - 31.10.2020 | Arquidiocese de Manaus

Ladainha, também conhecida como litania, é uma oração breve e insistente em forma de responsório, na qual o povo responde a invocações do ministro ou animador com uma aclamação: geralmente rogai por nós. A ladainha é um modo muito simples e fácil de rezar. O nome ladainha provém do grego litaneia, que quer dizer oração pública.

Comum a várias religiões, o Cristianismo herdou da liturgia das sinagogas esta forma de rezar, repetindo a mesma frase várias vezes como está presente no Antigo Testamento (1º Livro dos Reis 18,26; Salmo 146-159; Daniel 3,52-90).

O “rogai por nós”, repetido inúmeras vezes nas ladainha é dito em tom de invocação, ou seja, rezando estamos trazendo para perto de nós a lembrança de alguém que nós amamos, que foi importante ou que alcançou a graça da santidade.

A ladainha como conhecemos hoje, surgiu por volta do século IV, em Antioquia. 

As mais conhecidas são a Ladainha de Todos os Santos e a de Nossa Senhora. Mas a piedade popular foi ao longo do tempo criando várias outras, para diferentes circunstâncias: a do Sagrado Coração de Jesus, do Santíssimo nome de Jesus, de são José, etc. Todas elas têm em comum, o caráter de intercessão e súplica.

Ladainha de Todos os Santos: é uma lista de invocações à misericórdia de Deus e de intercessão ante alguns santos. Surgiu por volta do século III. No início eram invocados apenas os mártires. Ao longo do tempo foram acrescentados outros santos, ressaltando o caráter de universalidade da oração. Nessa ladainha, todos os santos e santas de Deus são invocados. Até mesmo os que ainda não foram canonizados, ou seja, declarados santos pela Igreja.

Ladainha de Nossa Senhora: também conhecida como lauretana por ter surgido em Loreto, por volta do século XII. É formada por 51 invocações a Maria, precedidas por outras à Trindade, e encerradas por mais três a Cristo, o Cordeiro de Deus. Tradicionalmente é usada como conclusão do Terço. 

Na Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae (O Rosário da Virgem Maria), n. 37, o papa João Paulo II escreve: “É o remate dum caminho interior que levou o fiel ao contato vivo com o mistério de Cristo e da sua mãe santíssima”.

As ladainhas podem ser rezadas a sós, em particular, em comunidade, como por exemplo, ao final do Terço, mas principalmente em momentos oficiais, propostos pela liturgia: Vigília Pascal, rito de Consagração de Virgens, profissão perpétua, ordenações, dedicação de igrejas, etc. 

A finalidade da oração é sempre a mesma: endereçar as preces do povo a Cristo e aos seus amigos prediletos, os mártires e santos, conhecidos por nós ou não.


Pe. Maciel M. Claro, cmf

Comentários

Anônimo disse…
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