terça-feira, 3 de novembro de 2009
Para Pensar....
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
NOSSA ARQUIDIOCESE DE MANAUS
Bispos
sábado, 26 de setembro de 2009
Relato inédito da estigmatização do Padre Pio




sexta-feira, 11 de setembro de 2009
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texto e fotos l.º de março de 1899. Juazeiro, Ceará: “Nós todos aqui, na maior aflição, desenganados do inverno, (...) faziam-se romarias, preces, novenas e mais novenas, orava-se pública e particularmente muito, porque a aflição de todos era imensa, tendo cada um o justo temor dos horrores da seca. Chegou a primeira sexta-feira do mês de março da quaresma deste ano, eu chamo a toda a irmandade, como de costume, para a comunhão reparadora do mês (...) uma comunhão reparadora grande ao Sagrado Coração, segundo sua divina intenção. (...) Passei toda a noite confessando homens, na igreja, aonde passavam também orando, seis ou oito mulheres que faziam parte da irmandade; com pena delas, interrompi o trabalho, fui despachá-las, dando-lhes a comunhão, das quatro e meia para as cinco horas, antes dos outros”.
Conhecendo “a sinceridade e simplicidade dessa criatura, a confusão e o vexame com que estava, nem sequer eu tinha dúvida da verdade que via”, Padre Cícero relata as providências que tomou, procurando justificar-se por não ter, no tempo certo, comunicado ao bispo, como devia. A notícia, entretanto, espalhara-se pelo sertão, trazendo milhares de pessoas em romaria a Juazeiro do Norte. Conta padre Cícero, nessa carta, que “... chove de toda parte um aluvião de gente, que tudo quer se confessar, e contritos deveras, (...) famílias e mais famílias, uns a cavalo, outros a pé, com verdadeiro espírito de penitência quanta gente ruim se convertendo”. A condenação Nasceu ali um dos mais longos dramas vividos pela Igreja no Brasil. Dom Joaquim Vieira instituiu uma comissão formada por dois padres para averiguar os acontecimentos. O resultado dessa missão não lhe agradou, designando novos sacerdotes para continuarem a investigação. O novo relatório, contrário ao primeiro, criou uma animosidade jamais superada. Enquanto o bispo mais e mais se posicionava contra as romarias que se multiplicavam em Juazeiro do Norte, elas atraíam gente de todo o nordeste, que encontrava na devoção a Nossa Senhora das Dores e nos sermões e conselhos de padre Cícero uma nova motivação para sua piedade. Padre Cícero, exortado a negar os fenômenos, alegou motivo de consciência para não fazê-lo, oferecendo-se para obsequioso silêncio.
Dom Joaquim Vieira o suspende das faculdades de pregar, confessar e administrar qualquer sacramento. Faz-se recurso à Santa Sé, em petição levada pelo sacerdote que secretariara a primeira comissão. Um longo processo se arrasta e, nele, o padre Cícero é proibido de celebrar a missa, vivendo na espera de uma reconsideração por 38 anos. Morre em 1934, sem alcançá-la. Nesse tempo, como simples leigo, recebe diariamente a comunhão na Igreja onde fora pároco e, como conselheiro, acolhe os romeiros que, de forma crescente, buscam Nossa Senhora das Dores. Juazeiro do Norte, de simples vila vai se tornando uma grande cidade e padre Cícero, seu líder civil e religioso. Os romeiros A morte do padre e a falta de reconhecimento por parte da hierarquia não arrefeceram a devoção daqueles que, ao longo do século, ficaram conhecidos como “os romeiros do padre Cícero”. Em número sempre crescente, esses romeiros estão presentes em todo o nordeste, além de outros, espalhados pelo Brasil por causa das migrações. Nas festas dedicadas a Nossa Senhora das Dores e das Candeias, no Dia de Finados e, em número mais reduzido, em todos os dias do ano, esses romeiros, cerca de dois milhões por ano, acorrem a Juazeiro do Norte para um ritual onde, além de buscarem a confissão e a comunhão, visitam as igrejas de Nossa Senhora das Dores, do Sagrado Coração de Jesus e os lugares próprios do padre Cícero, como a Capela do Socorro, onde está sepultado, sua casa e o horto, onde fazia seus retiros. Esse povo encontrou, na devoção e na prática das romarias, o vigor para resguardar sua identidade cultural e religiosa ao longo de um século, no qual se acentuaram a degradação e a perda das referências culturais das comunidades. Em recente estudo sobre o trânsito religioso nas últimas décadas, verificou-se, na região de influência das romarias do padre Cícero, o maior índice de permanência de fiéis na Igreja Católica. Embora a fidelidade à Igreja Católica seja uma das mais importantes características dos romeiros, as questões disciplinares que marcaram as primeiras quatro décadas desse fenômeno criaram uma situação desconfortável para a Igreja. Acolhendo-os, ainda que com certa reserva, a Igreja não enfrentou um estudo mais aprofundado sobre padre Cícero Romão, amado por eles como seu guia na devoção a Nossa Senhora das Dores e ao Sagrado Coração de Jesus.
O povo, entretanto, continuou crescendo em seu fervor, de forma que a própria permanência e evolução dessa forma de piedade popular provocou, em 2001, o despertar do novo bispo diocesano, dom Fernando Panico. Estimulado, também, pelos gestos de reconciliação de João Paulo II, durante o Grande Jubileu de 2000, dom Fernando iniciou um processo de reabilitação histórico-eclesial do padre Cícero, marcado principalmente pela busca de reconciliação com os romeiros e sua plena inserção na vida da Diocese. Esse gesto do bispo, proclamando a recíproca pertença do padre Cícero e da Igreja de Crato, ecoou pelo sertão nordestino como sopro de uma grande alegria, multiplicando-se o número de romeiros e sua devoção. A Igreja de Nossa Senhora das Dores foi elevada à condição de Santuário Diocesano. Uma Carta Pastoral, denominada “Romarias e Reconciliação”, selou o acolhimento sem reservas da Igreja a seu povo. Ainda há um grande caminho a ser percorrido, agora em clima de grande esperança e alegria. Essa caminhada servirá como modelo para o diálogo da Igreja com o Povo em nosso tempo. |
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por Davi Costa Tema central da 42.ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (em Itaici, SP, de 21 a 30 de abril) foi a “Vida e o Ministério dos Presbíteros”
A interpretação da imprensa foi no sentido de uma experiência sexual dos padres. Diante da ressonância negativa deste tipo de divulgação na opinião pública, a CNBB achou oportuno divulgar uma nota, que reproduzo em parte: “A afirmação da pesquisa, ‘O senhor, na condição de padre, nunca se envolveu afetivamente com uma mulher?’, é ambígua e oferece a possibilidade a respostas de peso diverso. De fato, ‘envolvimento afetivo’ inclui um vasto leque de empenho nos afetos humanos, e não apenas a relação sexual. Portanto, é indevido afirmar que 41% dos padres tiveram ‘relações sexuais com mulheres’. Se fosse verdade que, em algum momento da vida, 41% dos sacerdotes tiveram alguma fraqueza ou queda no campo da castidade, isto ainda não poderia ser interpretado como situação estável de infidelidade ao dever do celibato [...] Por outro lado, é interessante notar que a mesma pesquisa do CERIS mostrou que a quase totalidade dos sacerdotes (94%) sente-se feliz com sua escolha e não hesitaria em optar novamente pelo sacerdócio, como estado de vida. Isso seria inexplicável se eles levassem uma vida dupla, que é sempre fonte de desgaste, estresse, desajuste e falta de alegria de viver e seria impensável a disposição em optar novamente pelo ministério presbiteral, como caminho de vida”. Vários modelos A reflexão dos bispos em Itaici foi bem mais ampla do que este aspecto, embora importante, da maturidade afetiva dos padres. Ela abrangeu a espiritualidade e a fraternidade sacerdotal, o ministério sacerdotal dentro da realidade brasileira atual, a dimensão humano-afetiva e sexual. Tudo foi tratado com amor e carinho por parte dos bispos, que consideram os padres seus colaboradores, co-responsáveis e amigos. Dizia-me um deles ter ficado muito impressionado com o amor dos bispos pelos seus sacerdotes e, ao mesmo tempo, ter percebido que essa reflexão os levou a um amor ainda maior para com eles, no sentido de redescobrir a exigência de relacionamentos verdadeiros, com uma aproximação de amizade e diálogo aberto, sincero, feito de carinho e, quando necessário, de decisão. Tempo atrás, havia praticamente um único modelo de sacerdote, identificado com o ministério paroquial. Agora os modelos se tornaram vários, no mundo. Para o Brasil, Pe. Alberto Antoniazzi descreve aproximadamente os seguintes:
Vida em comunhão O sacerdote se encontra atualmente diante de grandes desafios provocados pelas mudanças rápidas e radicais da nossa sociedade. Uma constatação comum é que os padres estão cansados, estressados: isso depende da sobrecarga de atividades diferentes, como notamos, mas também dos problemas novos que devem enfrentar e para os quais não se sentem preparados em nível intelectual, social, psicológico. Basta pensar nos problemas dos divorciados, da bioética, da moral sexual, da pastoral nas cidades, da pressão dos movimentos religiosos fundamentalistas (as “seitas”), da globalização, da modernidade em geral, etc. Em Itaici, os bispos optaram por não publicar um documento sobre o tema, mas dirigiram uma carta aos sacerdotes, “Queridos irmãos presbíteros”, para indicar que quiseram, em primeiro lugar, expressar seu amor pessoal para eles.
Na carta, os bispos apontam o Cristo Bom Pastor para os padres. O Bom Pastor como modelo de sua vida e de seu ministério pastoral, chamando-os a representá-lo em si mesmos. O caminho é a vivência da Palavra, que deve preceder a pregação e deve levá-los a se doar totalmente aos irmãos. Os bispos realçam, gratos, a fidelidade de muitos sacerdotes à própria vocação e sua generosa dedicação ao apostolado. Ao mesmo tempo, não escondem falhas a serem corrigidas: excesso de ativismo, dificuldade no relacionamento com o povo e com os colegas padres, pouco cultivo da espiritualidade, intransigência e autoritarismo, aburguesamento, pouca valorização dos leigos, arrefecimento da opção preferencial pelos pobres. Para isso, os padres são encorajados ao engajamento na sociedade, de modo especial nas pastorais sociais. A nem sempre pacífica fidelidade ao ideal do celibato é inserida no contexto de relações humanas de amizade e fraternidade e enraizada num grande amor, vivo e pessoal, por Jesus Cristo. É justamente esta dimensão de comunhão que perpassa toda a carta, fazendo eco à intuição profética do papa, que, no início do terceiro milênio, indicou à Igreja o caminho de uma espiritualidade de comunhão. É na fraternidade (entre si, com os leigos e leigas e com o bispo) que os sacerdotes poderão realizar plenamente sua vocação, sob todos os aspectos: o afetivo, porque os relacionamentos sadios de amizade ajudam a construir a maturidade humana; o espiritual, porque uma autêntica espiritualidade evangélica não é individualista, e sim comunitária; o pastoral, porque, juntos (com os leigos e leigas) os sacerdotes podem resolver melhor os problemas, ler os “sinais dos tempos” e valorizar a diversidade na comunhão. Em Itaici, a CNBB também lançou o Projeto Nacional de Evangelização (“Queremos ver Jesus”), que se propõe a ser um grande mutirão missionário pelo Brasil afora. Mas, para que não seja apenas um sonho, faz-se mister contar com sacerdotes plenamente realizados. |


Já vimos em capítulo anterior que o movimento monástico cristão teve enorme difusão no mundo oriental. Iniciado no Egito por Santo Antônio Abade, recebeu com São Basílio (+ 379) a Regra para a vida cenobítica, isto é, comunidade reunida num mosteiro.
Com Cassiano (+ 435), que por muitos anos viveu junto aos monges egípcios, o monaquismo oriental passou definitivamente para o Ocidente. Finalmente, com Santo Agostinho, a vida monástica penetrou nas sedes episcopais. É dele a Regra que ainda hoje orienta diversas congregações religiosas.
Mas, o gênio romano encontrou sua plena e definitiva forma com São Bento de Núrcia. A partir do século VIII, todo o mundo ocidental tornou-se beneditino.
SÃO BENTO E A REGRA BENEDITINA
Privados de uma Regra consistente, muitos monges ocidentais viviam sem uma espiritualidade consistente e, o que era mais grave, perambulavam de mosteiro em mosteiro. Isso permitia fazer da vida monástica um modo preguiçoso de existência, causando incômodos à própria vida social e religiosa.
A Regra beneditina terá como centro a estabilidade local: o monge permanece por toda a vida num só mosteiro. São Bento, convidado por alguns monges para orientá-los, firmou esse princípio.
São Bento nasceu em Núrcia em torno do ano 480, provindo de uma família de nobreza provincial. Por diversos anos viveu junto a Subiaco, primeiro como eremita, depois como superior de 12 pequenos mosteiros. Pelo ano de 529, dirigiu-se a Montecassino, onde estabeleceu o mosteiro típico do Ocidente, ali morrendo em 547.
![]() Monges ceifando trigo (gravura medieval) |
Toda a Europa tornou-se um canteiro de mosteiros beneditinos. Plantados no meio de florestas, logo eram procurados pelo povo, que ao seu redor fundava cidades. Precisando viver de seu trabalho, os monges especializaram-se na agricultura, no fabrico de bebidas, alimentos e remédios.
Criavam escolas monásticas, difundindo cultura e civilização. Para terem livros, cada mosteiro possuía sua seção de amanuenses, monges cujo ofício era copiar antigos manuscritos. A biblioteca dos mosteiros preservou o patrimônio cultural da Antigüidade.
A maior contribuição dos monges, porém, situa-se em outro campo: o religioso. Foram e são os monges a grande força reformadora da vida interna da Igreja em seus momentos de crise.
A ORGANIZAÇÃO DO MOSTEIRO
São Bento, com sua Regra, expôs o gênio romano da organização, marcado pelo discernimento, pelo equilíbrio. Nenhum exagero, nem de descanso, nem de oração, nem de penitência era permitido.
O grande lema da vida beneditina é “Ora et labora”, reza e trabalha. Mas, podemos acrescentar: reza, trabalha e descansa. Veja-se o horário: a comunidade se levanta de madrugada, pelas 2:30. O dia começa com a recitação do Ofício divino, ao qual dedicam-se 4h no inverno e 3:30 no verão; para o trabalho manual, 5 no inverno e 9 no verão; para o trabalho intelectual, 5 no inverno e 3:30 no verão; para o descanso, 9 horas contínuas no inverno e 7 mais a sesta, no verão.
Bento, além disso, estabeleceu que nenhuma ocupação, tanto de trabalho como de oração, podia ser prolongada além de 3 horas continuadas, para que o monge não fosse vítima do cansaço físico ou da aridez espiritual.
O monge faz voto de estabilidade na congregação, não podendo transferir-se e sendo recomendado a sair poucas vezes para outras funções. Retornando de uma viagem necessária, não deve contar nada do que viu ou ouviu. O silêncio é prescrito mas, havendo necessidade, pode ser rompido.
O mosteiro deve ser construído de modo que tenha todo o necessário: água, moinho, quintal e oficinas. O trabalho é imposto como exigência da pobreza.
Figura central do mosteiro é o Abade (Pai): no mosteiro ele ocupa o lugar de Cristo. Deve ser bom e santo, governando mais com o exemplo do que com palavras. É o Pai espiritual, bondoso, sendo mais misericordioso do que justo. Eleito pela comunidade dos monges, tem cargo vitalício de pleno poder, nada podendo ser feito sem ele. Mas, ele deve cercar-se de conselheiros administrativos e espirituais, condividindo com eles o cargo, detendo a palavra final.
O MOSTEIRO, ESCOLA DO SERVIÇO DIVINO
Quem ingressa no mosteiro, está decidido a voltar para Deus através de uma vida de obediência. Deus é o fim da vida monástica. Está presente em toda parte com sua imensidade, provocando na alma doce confiança e coragem confidente, ação de graças e, sobretudo, amor, que é o primeiro instrumento das boas obras.
![]() São Bento |
Pela obediência, o monge retorna a Deus: obediência a Deus, ao abade e aos irmãos. Tudo leva à humildade que, com a obediência, torna a alma disposta em relação a Deus. Jesus Cristo é o companheiro do retorno ao Pai.
A oração ordena a vida do monge: a principal é o Opus Dei (Obra de Deus), o Ofício litúrgico comunitário. O dia e as atividades do monge estão organizados em torno das Horas do Ofício, cujo conteúdo são os Salmos, os Hinos, leituras da Sagrada Escritura e comentários dos Santos Pais.
ACEITAÇÃO E EXPANSÃO BENEDITINA
Foi impressionante a difusão da Regra de São Bento. Seu maior entusiasta foi o papa Gregório Magno (+ 604), que a prescreveu aos mosteiros romanos e recomendou-a para a Inglaterra e Irlanda. Dali foi comunicada aos alemães e francos.
No reino franco, o rei Carlos Magno foi seu grande entusiasta e em 802 a impôs a todos os mosteiros do Império. Seu filho, Luiz o Pio, quis que todo o clero vivesse em comum sob essa Regra. Pode-se dizer que entre os anos de 800 e 1100, todos os mosteiros europeus eram beneditinos. Os soberanos viam nos mosteiros uma força extraordinária de fé, cultura e civilização, numa palavra, tudo fizeram para tornar a vida monástica o ideal de vida cristã e de cultura. Os monges tudo fizeram por merecer essa confiança da sociedade, mas correndo o perigo do privilégio e da perda da autonomia.
![]() Mosteiro de Monte Cassino |
O entusiasmo imperial pelos mosteiros trouxe um aspecto negativo: tornou-os sempre mais dependentes dos príncipes e independentes dos bispos e do papa, com o risco do enriquecimento. Um mosteiro rico rapidamente esquecia o princípio beneditino da pobreza, do trabalho manual. Passava perigosamente a viver de rendas. Muitos nobres e ricos passavam suas posses aos mosteiros, com a condição de que neles se rezasse por suas almas. Surgem mosteiros imensos, ricos, poderosos, com abades também poderosos e ricos, perdendo-se o espírito da Regra de São Bento, que era a obediência, a pobreza e a humildade.
O trabalho, essencial na vida monástica, passa a ser um adereço simbólico. Em outras palavras, os mosteiros precisavam readquirir sua independência frente ao poder político.
A REFORMA DE CLUNY
Em 909, é fundado em Cluny, na Borgonha francesa, um mosteiro que tem como ideal recuperar a independência e o espírito beneditino. Por isso foi logo colocado sob a proteção da Santa Sé e obteve a garantia de livre eleição de seu abade.
Cluny recupera toda a riqueza da vida monástica, com especial atenção para a liturgia. Em pouco tempo, muitos mosteiros se confederaram a Cluny, outros são fundados no mesmo espírito e a vida beneditina readquire força espiritual em toda a Igreja, sendo a causa principal de sua reforma no século XI, a Reforma gregoriana. O abade de Cluny tinha autoridade sobre todos os mosteiros confederados, deles escolhendo os abades. Isso já era um perigo pois, no espírito da Regra, cabia aos monges escolhê-lo.
A fama de Cluny foi tanta que em pouco tempo quase toda a vida beneditina dependia desse mosteiro. Mas, a fama foi seu perigo: doações e mais doações tornaram-no rico, esplendoroso, chegando a ter a maior igreja do Ocidente. E assim, novamente foi prejudicado o espírito genuíno da Regra. Um mosteiro rico não tem necessidade de trabalho.
Surge assim uma reforma dentro da reforma: alguns beneditinos se refugiam nos fundos de uma floresta, como num deserto, em busca da liberdade para encontrar a Deus, para o trabalho manual e celebrar a liturgia com simplicidade.
Roberto de Molesme (+ 1112) com 21 companheiros funda o “Mosteiro Novo” em Cîteaux, em 1098, donde o nome da nova Ordem beneditina: os Cistercienses.
No ano de 1112, entra em Cîteaux, com um grupo de 30 companheiros, Bernardo, que, em 1153, funda o mosteiro de Claraval (Clairvaux).
São Bernardo recoloca a vida monástica no princípio da pobreza e da obediência. Foi tamanha a aceitação da reforma cisterciense que, em 1153, já havia 350 mosteiros seguindo sua interpretação da Regra.
O gênio de São Bento propõe um tal equilíbrio que a Regra sempre pode – e sempre foi – ser restaurada em sua simplicidade, para o bem da Igreja.
Pe José A. Besen
Prof. de História do ITESC
MOVIMENTOS DE RENOVAÇÃO E REFORMAO “Século de Ferro”, com a decadência na vida monástica, na Sede de Pedro e mesmo na vida cristã, demonstrou que a conversão dos povos bárbaros não tinha levado a um autêntico estilo de vida cristã, pois, por trás de uma sociedade cristã, se ocultava um mundo viciado de antigas práticas pagãs, ainda não tocado pelo Evangelho.
IGREJAS PRÓPRIAS
Uma das pragas, surgida desde o século VII entre os francos, mas existente também na Itália e na Espanha, foi o sistema das igrejas “próprias” ou “privadas”. Quando um rico construía uma igreja, capela ou mosteiro, considerava-os como sua propriedade. Podia mantê-los, deixar em herança, trocar ou doar e, a seu gosto, nomeava ou demitia o vigário ou abade. Quando a autoridade religiosa morria, enquanto não se escolhia outra, os rendimentos eram do dono. Para seu uso, reservava ainda as ofertas, os dízimos e as espórtulas.
No século VIII, o número de igrejas próprias era muito superior ao das igrejas sujeitas à jurisdição dos bispos. Houve casos em que dioceses eram bens particulares, verificando-se verdadeiro leilão no momento da escolha do titular. Já vimos no capítulo anterior que no século X a própria sede papal tornou-se uma igreja particular.
Esse sistema era totalmente estranho às concepções da Igreja antiga, quando cabia ao bispo, como pastor, a nomeação dos titulares das igrejas e dos administradores dos bens eclesiásticos.
AS INVESTIDURAS LEIGAS
As vantagens oferecidas à Igreja pelo Estado tiveram como contrapartida uma exagerada preocupação das autoridades eclesiásticas com a política, fazendo-as se esquecerem dos deveres pastorais. O serviço na corte colocou-as no meio das intrigas palacianas.
Os reis tinham todo o interesse em influenciar na nomeação dos bispos e abades, devido à importância de sua função e, para piorar, normalmente eram aliados da monarquia.
Bispos e abades eram verdadeiros príncipes soberanos, detendo o mercado da moeda e a alfândega. Alguns, contra toda a tradição cristã, chegam a comandar exércitos.
Ao invés da eleição canônica pelo clero e pelo povo, a regra passou a ser a nomeação pelo rei ou, no mínimo, dependia de confirmação real.
A entronização do bispo ou abade, a partir do século XI, passou a ser conhecida como investidura. O rei entregava o báculo e o anel à nova autoridade religiosa que, em seguida, prestava juramento de fidelidade e de vassalagem. Somente então seguia-se a consagração episcopal.
Isso era contrário à essência do ofício espiritual, pois passava a idéia de que a Igreja era propriedade real e, para piorar, a nomeação se dava, não pela dignidade do candidato, mas pela política e interesses econômicos.
Embora que reis piedosos, como Carlos Magno, Otão I e Henrique II tenham nomeado pessoas digníssimas, muitas dioceses e abadias foram entregues a leigos, a pessoas indignas e até a crianças, não se ficando livre do pecado da simonia, ou seja, da venda de benefícios sagrados.
Qual o caminho trilhado pela Igreja para recuperar sua liberdade?
MOVIMENTOS DE
RENOVAÇÃO E DE REFORMA
Como quase sempre aconteceu, o impulso renovador parte dos mosteiros. Assim foi entre os anos 900 e 1050, quando a Igreja conseguiu se libertar de muitos abusos incrustados em sua estrutura.
Centros de reforma foram os mosteiros de Cluny (França), Görze (Alemanha), de onde partem grupos renovadores para a Bélgica, Itália, Espanha, Inglaterra...
A abadia de Cluny, que surgiu em 910, quando os mosteiros estavam em profunda decadência, foi fundada pelo duque Guilherme de Aquitânia que, renunciando ao direito de propriedade, colocou-a sob a proteção papal, assegurando a liberdade do mosteiro.
![]() A igreja da abadia de Cluny em seu apogeu. Era a maior do mundo |
A abadia ganhou o antigo rigor monástico e profunda renovação espiritual, pois ingressava em Cluny quem realmente queria ser monge. A força vital era a liturgia. A oração se torna quase a única atividade dos monges. Isso se tornou perigoso, pois a regra de São Bento coloca o trabalho físico e intelectual como atividade necessária.
O povo, que gostava muito de Cluny, encheu o mosteiro de doações e riquezas, nela erguendo a maior igreja do mundo, com 5 naves, sendo das quais 2 transversais, 7 torres e 5 capelas. Cluny desenvolveu de modo profundo a idéia da Comunhão dos Santos: ali se rezava noite e dia pelos fiéis defuntos. Por uma dessas ironias da história, em 1258, Cluny, que tinha cumprido sua grandiosa missão de libertar a Igreja do governo leigo, se oferece como propriedade ao rei Luiz IX da França.
A REFORMA GREGORIANA
Cluny colocou-se a serviço da liberdade da vida monástica, e de toda a Igreja. Era um mosteiro livre, com governo próprio. Seu exemplo se alastra: Papas e bispos, donos de igrejas próprias, chamam os monges de Cluny para reformarem seus mosteiros.
Milhares de comunidades e mosteiros se confederam a Cluny, absorvendo seu espírito e ganhando a liberdade, pois ficavam sujeitos apenas à Sé apostólica. O abade de Cluny é o abade dos abades, havendo mosteiros com 400 monges!
Cluny oferecerá à Igreja papas reforma-dores, como:
Leão IX (1049-1054), que leva para Roma o ideal de liberdade.
Gregório VII (1073-1085), antes monge Hildebrando, que lutou com bispos e imperadores, conseguindo libertar a nomeação das autoridades da Igreja da influência imperial. Na Concordata de Worms (1122) foi sancionado o princípio que limitava o direito dos patrões das igrejas próprias sem à proteção e à apresentação do candidato eclesiástico. O ofício propriamente dito era conferido só pelo bispo.
A reforma gregoriana transformou a história européia: de uma Igreja governada pelos leigos, passa-se a uma sociedade governada pela Igreja, a uma Sociedade Cristã. Há uma transformação na vida religiosa, como as grandes reformas de São Bernardo de Claraval (os cistercienses), os cartuxos, carmelitas, cônegos regulares e premonstratenses.
O LEIGO CONTA POUCO
O papa, antes controlado pelo imperador, tem agora um efetivo poder sobre o imperador e o Estado. A autoridade dos soberanos, afirmava Inocêncio IV (1243-1254), deriva da do papa que, como vigário de Deus, é a suprema autoridade na cristandade e mesmo no mundo. Temos uma clericalização do Estado e da vida cristã.
Com Gregório VII e seus sucessores Inocêncio III e Bonifácio VIII, veremos uma Igreja onde o leigo conta pouco, onde o Direito Canônico terá a palavra final. Num retrocesso evangélico, a vida da Igreja passa a ser orientada por leis sempre mais abundantes.
![]() O Imperador Henrique IV, em trages de penitente, pede perdão ao Papa Gregório VII (inverno de 1076-77), em Canossa |
O Papa surge como o guia do Ocidente. Gregório VII coloca o grande imperador alemão Henrique IV em penitência, prostrado a seus pés, pedindo para ser reintegrado como imperador. Este papa expôs seu programa político-eclesiástico em 27 breves proposições que constituem o Dictatus Papae.
Citamos algumas delas que marcam o pontificado romano até nossos dias:
• Somente o papa pode depor e absolver bispos.
• Somente ele pode estabelecer novas leis, reunir novos povos, dividir um bispado, unir bispados pobres.
• O papa é o único homem ao qual os príncipes beijam os pés.
• Nenhum sínodo pode ser convocado sem sua ordem.
• Ninguém pode modificar suas sentenças nem julgá-lo.
• O Romano Pontífice é indubita-velmente santo.
• Quem não está com a Igreja romana não deve ser considerado católico.
Um programa completo de centralização da Igreja nas mãos do papa! Devemos porém constatar que todos esses papas poderosos terminaram derrotados:
Gregório VII é exilado, Inocêncio III morre e é abandonado nu pela sua corte, Bonifácio VIII morre após ser traído e aprisionado. O Cristo crucificado e nu parece não combinar com as púrpuras palacianas.
A verdadeira reforma cristã virá através da humilde obra de Francisco e Clara de Assis!
Pe. José Artulino Besen
Prof. de História do ITESC
PARA REFLETIR
1 - Por que as reformas da Igreja quase sempre nascem dos mosteiros ?
2 - Riqueza e poder ameaçaram a vida da Igreja. Isso continua sendo um perigo ?
3 - Então, qual a maneira melhor de a Igreja realizar sua missão ?

Exatamente quando a Igreja aparecia no auge de seu esplendor e o poder papal atingia sua maior extensão, na Europa se intensifica e multiplica o surgimento de heresias, de movimentos religiosos contestadores.
Suas características: serem contra o sacerdócio, negarem os sacramentos e o sacrifício eucarístico. Afirmavam também a inutilidade das obras exteriores
Tinham aversão aos poderes religiosos e sacramentais dos sacerdotes e afirmavam uma comunidade cristã igualitária, sem organização hierárquica e sem diferença entre clérigos e leigos.
A uma vida religiosa, fundamentada mecanicamente nos sacramentos, afirmavam que “só a vida salva”.
Contra uma Igreja triunfante, rica, política, propõem uma Igreja fundada exclusivamente no Evangelho da pobreza e da oração. No fundo, o que anima o coração do herege não é a maldade e o erro, mas o desejo de uma Igreja pura. O herege, apesar de todas as suas contradições, não quer destruir a Igreja: quer reformá-la.
Para estudarmos a situação, citaremos três modalidades de anseio religioso:
- os cátaros ou albigenses (dualistas);
- os valdenses evangélicos anti-sacramentais;
- as ordens mendicantes, dominicanos e franciscanos.
As duas primeiras se opõem à Igreja, enquanto os mendicantes reformam a vida cristã permanecendo dentro dela.
OS CÁTAROS OU ALBIGENSES
A heresia dos cátaros (= puros) parece ter origem nos Balcãs (Bulgária), e é um resíduo do antigo maniqueísmo, que via tudo em chave dualista: espírito-matéria, bem-mal.
O catarismo era estranho a toda evolução da sociedade européia e previa sua dissolução, pois negava o trabalho manual, o exército, o matrimônio, a hierarquia civil e eclesiástica e a propriedade privada.
Condenando a matéria como má, se opunha a todos os sacramentos, especialmente à Eucaristia; negavam a encarnação, a ressurreição e opunham o Antigo ao Novo Testamento. Seu único sacramento era o Consolamentum: imposição das mãos por um membro mais perfeito.
Os cátaros possuíam uma sólida organização interna, com verdadeira e própria hierarquia. Pelo ano 1150, tinham-se difundido largamente no sul da França. Suas doutrinas, apesar de estranhas, exerciam um certo fascínio pela sua pobreza e modéstia, sendo uma crítica feroz à riqueza e poder da Igreja e à mundanização de certos bispos e sacerdotes.
A Igreja os combateu duramente, organizando contra eles expedições militares e enviando-lhes pregadores. Não eram esses os meios adequados para combatê-los, mas foram destruídos, restando apenas alguns representantes no século XIV.
VALDENSES OU POBRES DE LIÃO
Pedro de Vaux, rico comerciante de Lião, querendo atingir o estado de perfeição cristã, em 1173 distribuiu seus bens aos pobres e propôs-se, como ideal de vida, peregrinar pregando a penitência e levando uma vida de pobreza apostólica (cf. Mt 10,9ss). Em vista disso, reuniu homens e mulheres levados pelo mesmo ideal e enviou-os dois a dois a pregar a penitência. Objetivo: retornar à Igreja apostólica pobre, seguindo sempre a Escritura.
Eram os “pobres de Lião”, que se sentiam como ovelhas entre lobos. Mas, este estilo de vida e pregação era um desafio silencioso ao mundo cristão e, em primeiro lugar, à hierarquia e às abadias. Infelizmente, faltava-lhes uma instrução maior para a pregação que, aliás, estava proibida aos leigos pelo Concílio de 1179. Surge o desencontro entre os representantes da “vida apostólica” e os representantes do ministério apostólico. Cada um assume posições mais duras e o desencontro é fatal.
Os valdenses passam a admitir apenas os sacramentos do batismo, da ceia e da penitência. Rejeitam o ministério ordenado. Sua eclesiologia é mais carismática do que institucional, mas se sentiam ligados aos Apóstolos. Não havendo acordo, são excomungados em 1184 pelo papa Lúcio III, muitos deles sofrendo a morte pela fogueira. O movimento de Pedro de Vaux mostra, pela primeira vez na Idade Média, o desejo de uma Igreja com laicato participante, combatendo o vitorioso clericalismo.
AS ORDENS MENDICANTES:
FRANCISCANOS E DOMINICANOS
O século XII, ao mesmo tempo em que assiste ao surgimento de movimentos heréticos, vê crescer no seio eclesial novas e renovadas ordens religiosas. As ordens mendicantes representam algo totalmente novo na série das ordens religiosas. Elas obrigam os frades e os conventos a uma severíssima pobreza, limitando-lhes as posses ao mínimo necessário. Devem receber o sustento através do trabalho manual e nunca ter contato com o dinheiro.
![]() Clara de Assis e Francisco de Assis |
Dedicavam-se à penitência e à pregação, especialmente ao confessionário. Permaneciam no mundo e nele agiam. Numa época de clero rico, descomprometido, retomando a imitação de Cristo, os mendicantes injetam novas correntes vitais na cristandade. A Ordem Terceira representa uma característica importante entre as ordens mendicantes, já que a espiritualidade mendicante é levada à vida matrimonial e profissional.
Esses “irmãos da penitência” permaneciam na família, mas vivendo sob certas regras, algumas revolucionando a sociedade: não podiam levar armas nem fazer guerra, quem tivesse riqueza ou terra roubadas deveria devolvê-las, manter uma caixa de socorro aos pobres, etc. Era a vida religiosa fermentando vigorosamente a sociedade medieval. Os franciscanos formam a primeira grande ordem mendicante.
Francisco de Assis (+1226) é o representante mais célebre do ideal da imitação de Jesus na vivência da pobreza. Sua espiritualidade está atenta à pessoa de Jesus, também nos sofrimentos. Vivendo a pobreza, critica a riqueza, mas não a Igreja, tanto que recebe a aprovação papal. Centros de sua vivência espiritual são o mistério da encarnação (cf. o presépio de Grécio,1223) e a Eucaristia. Francisco é o cantor da criação, o cantor de todas as criaturas. Tudo lhe revela a presença e a glória de Deus. É um irmão universal.
![]() Assis: Basílica superior de São Francisco, onde ele está sepultado |
Em 1300, os franciscanos constituíam 1400 comunidades e 35 mil membros. Clara de Assis (+1253) trouxe a vida franciscana para o mundo feminino, fundando a Ordem das Clarissas, que vivem o ideal da pobreza na vida contemplativa. Domingos de Gusmão. Se Francisco quis ser seguido por irmãos de penitência, pregadores sem muita formação, Domingos de Gusmão(+1221) funda uma nova ordem mendicante, os dominicanos, mas constituída de pregadores, homens preparados para converter hereges.
Na comunidade dominicana o estudo tem importância fundamental.Em 1300, existiam 600 comunidades e mais de 12 mil membros. Além dessas ordens, devemos citar as dos carmelitas, agostinianos, cônegos regulares, premonstratenses, cistercienses.... Na grande crise espiritual por que passa a Igreja, o espírito da renovação vem de um novo estilo de vida religiosa.
MENDICANTES E INQUISIÇÃO
A Inquisição veio combater todas as formas de heresia e de contestação institucional. Mas conseguiu pouco. A grande obra de conversão foi realizada pelos mendicantes: eles viviam na Igreja o ideal da simplicidade, da pobreza e da piedade evangélicas e o colocavam ao alcance de todos.
Pe. José Artulino Besen
Prof. de História no ITESC
PARA REFLETIR
1 - Qual o objetivo das heresias e dos movimentos contestatórios?
2 - O que queriam dizer São Francisco, Santa Clara e São Domingos à Igreja daquele tempo?
E para nós?

Com a liberdade, a Igreja recebeu a oportunidade de se organizar, mas também passou a enfrentar um grande perigo, maior do que a perseguição: o controle por parte do imperador e do estado romano. Essa interferência política será sempre um perigo para a fé, ameaçada por imperadores adulados por bispos cortesãos.
![]() Os três Capadócios: Basílio de Cesaréia, Gregório de Nazianzo e Gregório de Nissa |
Deste modo, as próprias decisões dos concílios sofrem rupturas de acordo com a vontade imperial.
Mas, esta é a grande glória da Igreja nos séculos IV e V: grandes pastores, doutores na fé, santos, defenderão a doutrina sem nenhum medo, garantindo a unidade e a ortodoxia. São conhecidos como Pais (Padres) da Igreja, os Santos Pais.
A autoridade deles é tamanha no seio da Igreja que seus escritos quase são colocados ao lado dos textos da Escritura: conservaram a verdadeira doutrina, foram santos, foram sábios. Dividem-se em Pais latinos e Pais gregos, dependendo da língua utilizada.

Formados nas escolas de cultura pagã, colocaram essa sabedoria a serviço do Evan-gelho. Normalmente eram de famílias cristãs; a maioria, porém, pediu o batismo em idade adulta. Após o exercício de uma profissão profana, formaram-se espiritualmente com os Pais do Deserto, aliando a sabedoria à santidade de vida e à contemplação.
Retornando a suas cidades, foram ordenados sacerdotes, sendo depois candidatos naturais ao episcopado, oferecendo à Igreja uma plêiade nunca repetida de grandes bispos.
Como pastores zelosos, seus ensinamentos foram ministrados através da catequese e da pregação. O povo que os escutava também os compreendia. Não eram teólogos profissionais: eram santos teólogos. Vale para eles a máxima da sabedoria cristã oriental: Se sabes rezar, és teólogo; se és teólogo, sabes rezar.
Os teólogos da Corte se apressavam em justificar o imperador de plantão. Já os Santos Pais não aceitavam que nada e ninguém se opusesse à doutrina verdadeira e à unidade da Igreja. Em tempos favoráveis, chamavam o imperador de “santo”: mas bastava que ele se desviasse da reta doutrina para chamá-lo de satanás ou anticristo.
Mesmo possuidores de vasta cultura, jamais se afastaram do povo, vivendo junto à multidão dos pobres e humildes. Na mais pura imitação de Cristo, são pais dos pobres. Seus sermões contra os ricos e as riquezas são tão fortes e claros que ainda hoje causam espanto.

Sobre o combativo Atanásio, patriarca de Alexandria, Gregório de Nazianzo afirmou “que estudou apenas o necessário para não parecer ignorante”. Era um homem de Igreja, amado pelo seu povo e odiado pelos adversários heréticos ou pelos poderosos. Constantino disse que ele era insolente, orgulhoso, provocador de confusão. Para salvar a unidade da Igreja, não recuava diante de nada.
Atanásio foi vítima de chantagens, calúnias, mas soube sempre responder, conduzindo o povo a seu favor. Sua defesa da fé o fez sofrer 20 anos de exílio em 46 anos de episcopado.
Toda a Igreja tem em grande conta três Pais conhecidos como os Grandes Capadócios, por serem da Capadócia: os dois irmãos, Basílio de Cesaréia e Gregório de Nissa, e Gregório de Nazianzo.

Basílio de Cesaréia, o maior dos Pais do Oriente, esperou muito tempo para pedir o batismo. Em busca do saber, peregrinou de escola em escola, freqüentando os mestres de Constantinopla e de Atenas. Fundador da vida monástica oriental, teve imensa preocupação com os pobres. Percebeu a exploração dos humildes: em anos difíceis, os impostos e os dízimos eram cobrados com antecipação, criando verdadeiros escravos.
Suas palavras: “As exigências chegam ao cúmulo da desumanidade. Exploras o desespero, fazes dinheiro com lágrimas, estrangulas quem está nu, esmagas o faminto, foram ditas ao ver um pai vender um filho como escravo para escapar da miséria!”. Um prefeito, que não conseguia convencê-lo, lhe disse: “Até hoje ninguém ousou falar-me com tal liberdade”. Respondeu secamente: “Sem dúvida nunca encontraste um bispo!”.

O pai de Gregório de Nazianzo era um herege. Com a oração da esposa converteu-se e até tornou-se bispo de Nazianzo, gerando Gregório, filho único depois batizado por ele. Gregório era muito sensível, mais propenso à poesia e à
contemplação do que à administração. Foi eleito bispo de Sásima, mas se recusava a assumir um posto povoado de estrangeiros e de vagabundos. Diz, porém, que não se recusava a defender as galinhas e os porquinhos.
Gregório diversas vezes fugiu, pois não queria administração. Quando o velho bispo pai morreu, fugiu mais uma vez. Mas, sua fama persistia e acabou levando-o à escolha como patriarca de Constantinopla, onde adquiriu fama como o bispo da Trindade. Nas vezes em que novamente quis fugir, o povo dizia: “Então nos deixarás sem a Trindade?”.
Gregório, durante o concílio de Constantinopla (451), não agüentou mais as discussões em que os mais jovens tagarelavam como um bando de papagaios. Preferindo pregar a Trindade a ficar discutindo, fugiu, fixando-se na diocese de seu pai, que administrou por algum tempo, dedicando-se mais à vida literária e contemplativa.

Nascido em Antioquia, João Crisóstomo (Crisóstomo = boca de ouro) nasceu para ser monge e pregador, e nunca para ser administrador ou político.
Orador nato, conhece todos os recursos para convencer e atrair os ouvintes, especialmente atraindo os humildes, objeto de sua atenção. Denuncia o luxo, a riqueza, a preguiça. A fama de orador fez chegar seu nome à capital do Império e em 397, contra sua vontade, foi praticamente seqüestrado e feito patriarca de Constantinopla. Seu primeiro ato foi limpar do luxo o palácio episcopal. Passou a comer sozinho e não aceitava recepções.
João continua sendo monge e, denunciando os abusos da corte e dos bispos, se indispõe com todos, especialmente com a imperatriz Eudóxia que, para provocá-lo, fez erguer uma imagem própria diante da catedral...
Mas continuou a denunciar a imperatriz e na celebração pascal foi detido e exilado em uma pequena aldeia da Armênia, onde morreu em 407, proferindo suas últimas palavras: “Glória a Deus por tudo”. É o mais amado dos Pais orientais, sendo a liturgia ortodoxa denominada “Divina Liturgia de São João Crisóstomo”.

A Santíssima Trindade, a Bíblia, Maria e a justiça social. Os Pais do Oriente eram movidos pelo desejo de contemplar a Deus e esclarecer seu grande mistério.
Saídos do deserto, eram monges em meio ao tumulto da cidade dos homens. O amor a Deus fê-los possuir uma imensa compaixão pelos pobres, criando obras para socorrer os famintos e abandonados.
Pároco e Prof. do ITESC


ara alguns autores modernos, é distração religiosa fazer os Bem-aventurados colarem graus acadêmicos ou serem agraciados com outros títulos na eternidade, como se necessitassem de nossas honras. Uma coroa proclamando Nossa Senhora Rainha, um diploma fazendo Teresinha de Lisieux Doutora, um título para que Santo Tomás seja o “Doctor Angelicus”. Pode até ser perda de tempo, mas, se nos colocarmos no campo religioso em que isso acontece, veremos que tudo isso possui um forte sentido eclesial e ecumênico.
omás de Aquino afirma que Cristo é o primeiro e principal doutor da fé, ele possui a plenitude da graça magisterial, pois Ele ensina com autoridade tudo o que viu e ouviu do Pai. Contudo, o Doutor da Igreja é o Espírito Santo.
Nele está radicado todo o ensinamento teológico, doutrinal e moral. Ele fala pelas Escrituras, pela inteligência do crente, fala através dos Concílios, Assembléias, Conselhos cristãos e pessoas dotadas de carismas extraordinários. Se Cristo é o Mestre, o Espírito Santo dá à Igreja a graça da compreensão.
DEFENSORES DA FÉ ORTODOXA
Durante sua história, a Igreja levou mais de 300 anos para proclamar os primeiros doutores. Isso aconteceu por ocasião dos primeiros grandes Concílios Ecumênicosdos séculos IV (Nicéia e Constantinopla) e V (Éfeso e Calcedônia), assembléias que reuniram toda a Igreja – bispos, padres, monges e leigos – para apresentar, com a clareza humanamente possível, os dois mistérios centrais da fé cristã: a Trindade e a Encarnação.
A formulação de um dogma de fé não é a explicação da verdade, mas a delimitação de nossa interpretação, ou seja, até onde podemos ir. É a afirmação do mínimo necessário. Antes havia os grandes mestres da fé, como Inácio, Policarpo, Justino, Irineu, mas todos eles morreram mártires pelo Senhor. E não ficava bem dar a um mártir o título de doutor: na Igreja nada está acima do testemunho de quem dá a vida. Num processo de beatificação, até o milagre é dispensado.
DOUTORES NA ÉPOCA DOS GRANDES PAIS DA IGREJA
A partir de 313, com a Paz de Constantino e a liberdade conquistada, a Igreja teve condições melhores de refletir a fé e o mistério da fé. Foi entre os anos 300 a 460 que a Igreja proclamou 13 dos 33 doutores da fé. Esses mestres-teólogos se caracterizaram pela inspiração doutrinal, clareza teológica e santidade de vida, empenhando toda sua energia e capacidade no combate às heresias.
São Doutores num sentido especial e, para não haver ciúmes, uma tradição da Igreja proclama como doutores “maiores” quatro orientais (Basílio de Cesaréia, Gregório de Nazianzo, João Crisóstomo e Atanásio de Alexandria) e quatro ocidentais (Ambrósio de Milão, Agostinho de Hipona, Jerônimo e Gregório Magno).
A Igreja do Oriente não usa o título “doutor”, mas um termo equivalente, Ierárchoi (autoridades santas). Após a série dos sete grandes Concílios, não concederam a mais ninguém esse título. As Igrejas da Reforma, os protestantes, não tiveram interesse pelos Doutores da Igreja, pois têm como suficiente a Escritura lida sob a inspiração do Espírito. No início da Idade Média, “doutor”era um termo familiar para indicar os mestres que possuíam uma autoridade superior no campo da doutrina.
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HOMENS E MULHERES DE FÉ
Na Antigüidade, foram os teólogos que ensinaram uma doutrina aceita por todos e em toda parte: ecumênicos. Eles foram corajosos defensores da fé e terríveis inimigos da heresia.
O Doutor também precisa ser santo: supõem-se nele não uma ciência acadêmica, mas uma ciência que leva à vivência da fé (Ora o que crê e crê o que ora!).
A Igreja teve e tem uma imensidão de grandes teólogos: por que tão poucos Doutores? Devem ter ensinado algo de novo a respeito da vida cristã, um novo caminho de espiritualidade. O título "Doutor" pretende anunciar aos cristãos que determinado homem/mulher, em sua busca de Deus, encontrou um novo Caminho de conhecimento e de vida a respeito do grande depósito da fé cristã.
Devem ter sido homens/mulheres de Igreja, preocupados com a vida interna da Igreja, com sua reforma em tempos de crise, como: Catarina de Siena, Pedro Damião, Bernardo de Claraval, entre outros.
SUA IMPORTANTE MISSÃO
Em sua escolha para o título, a Igreja olha muito a dimensão ecumênica e propõe o ensinamento e a vida de seus Doutores a todos os cristãos. Eles abrangem o Oriente e o Ocidente, bispos, religiosos e religiosos. Entre 265 papas, somente dois, Gregório Magno e Leão Magno, receberam o título.
Tomás de Aquino achava que o título não poderia ser dado a mulheres: mas temos três Doutoras! O título não está ligado ao magistério hierárquico, mas ao sacerdócio batismal.
O título é conferido pela autoridade (Papa ou Concílio), mas o carisma, o dom, vem do Espírito Santo. Simbólicas são as palavras de Paulo VI ao proclamar Teresa d’Ávila a primeira Doutora, em 1970:
“Nós conferimos, ou melhor, nós reconhecemos o título de Doutor da Igreja para Santa Teresa de Jesus”. Em outras palavras: os papas não fazem doutores, reconhecem os doutores. Caso o leitor queira conhecer a lista dos 33 Doutores da Igreja poderá acessar o seguinte endereço na internet: www.missaojovem.com.br/ forum.
CONCLUSÃO
“Se és teólogo, és santo; se és santo, és teólogo”, afirmam os orientais que mantém inseparável o trinômio liturgia-espiritualidade-teologia. Todo santo é mestre da vida evangélica e ser santo é o grande título “acadêmico” a ser desejado por todos os cristãos.
PARA REFLETIR
1. Você conhece os ensinamentos de algum doutor da Igreja? O que eles significam para a nossa caminhada pastoral?
2. Quais são as principais características para que a Igreja reconheça um doutor ou uma doutora?
3. Qual perfil deveriam ter os doutores da Igreja do Terceiro Milênio?

m diversas épocas, após o Concílio de Calcedônia (451) e o Grande Cisma (1054), verificaram-se diversas tentativas de encontros e contatos entre as Igrejas separadas (II Concílio de Lyon, 1274 e concílio de Florença, 1438-1439). Algumas Igrejas católicas orientais devem sua origem a esses encontros e acham normal que possam continuar a existir grupos que, dentro das Igrejas ortodoxas, sempre se sentiram em comunhão com Roma.
O UNIATISMO
O Uniatismo foi uma solução encontrada pela Igreja católica, em sua busca de união com Igrejas orientais, especialmente eslavas. As Igrejas Uniatas mantém sua constituição e espiritualidade, as particularidades do direito canônico, a possibilidade de matrimônio para o clero, os ritos e liturgia próprios, mas sempre reconhecendo o primado do Papa.
![]() Pedro e Paulo, unidade na diversidade |
Essa solução, tida como ideal numa época de confrontos políticos e de inimizade religiosa, hoje se revela insatisfatória, de modo que o Vaticano não aceita mais esse processo,causa de tantos atritos e sofrimentos, especialmente com as Igrejas unidas em torno do Patriarcado de Moscou.
Esta situação especial é objeto de muitas polêmicas que influenciam negativamente o caminho ecumênico, pois eram acusadas de ter abandonado suas Igrejas-Mãe, às vezes até por questões de interesse político.
Os próprios uniatas, que vêm da tradição romana, católica e apostólica, afirmam que, no dia em que houver a união das Igrejas, elas retornarão ao grande leito da tradição oriental.


onforme a tradição litúrgica, entre as Igrejas “Uniatas” contam-se 5 ritos e de 12 a 15 milhões de fiéis. Maronitas: Praticamente é a única Igreja oriental que sempre permaneceu fiel a Roma. Todas as outras são uniatas. Seu nome tem origem no monge São Marone (IV-V século). O Patriarcado, constituído em 1215, tem a sede em Bkerké (Líbano) e conta com um milhão de fiéis. É uma Igreja com forte presença na cultura, política e economia do Líbano, cujo presidente da República é sempre maronita.
Católicos de rito bizantino:
Ele têm sua origem numa série de “uniões parciais”: Brest-Litovsk (1595-1596), Croácia (1611), Uzhorod (1646) e a união dos romenos (1697). As comunidades mais consistentes se encontram na Ucrânia (4 milhões de fiéis), Romênia (400 mil), Eslováquia (208 mil) e Hungria (235 mil).
Siro-orientais de rito caldeu:
Trata-se do Patriarcado da Babilônia (com sede em Bagdá), reconhecido por Roma em 1696. Conta hoje com 400 mil fiéis de nacionalidade iraquiana. Uma Igreja em plena vitalidade e com muitas vocações.
Siro-malabares de rito caldeu:
Situados principalmente no estado de Kerala, os Siro-malabares seguem o rito caldeu e são cristãos da Índia convertidos, segundo a tradição, pelo apóstolo Tomás. Receberam da Igreja siro-oriental os ritos e a disciplina. Sempre estiveram unidos a Roma. A chegada dos navegadores e colonizadores portugueses às costas de Malabar, no século XVI, comportou um processo de maciça e prolongada latinização.
Mas, a Igreja siro-malabar conseguiu sobreviver e conservar sua tradição milenar, com uma eclesiologia própria, de unidade na diversidade. Uma Igreja povo de Deus. A assembléia de sacerdotes e leigos mantém a comunhão e a solidariedade na comunidade. Conseguiram sempre conviver com as religiões da Índia, como o hinduísmo, budismo e islamismo. Com 4 milhões de fiéis, esta Igreja é assistida por 7 mil sacerdotes, 30 mil irmãs e, anualmente, ingressam 2 mil novos seminaristas.
Siro-ocidentais:
Os siro-católicos, convertidos ao catolicismo pela Igreja siro-ortodoxa, dependem do Patriarcado de Antioquia, com 80 mil fiéis.
Armeno-católicos:
Desde 1740, dependem do Patriarcado de Sis, que hoje tem sua sede em Beiro e conta com 200 mil fiéis.
Igrejas de rito alexandrino:
As Igrejas do rito alexandrino sofreram muito por ocasião das ocupações militares inglesas e italianas, quando o Vaticano quis forçá-las a se latinizarem. Uma boa intenção apenas reforçou o preconceito contra Roma.
![]() Igreja Ucraniana em Curitiba - PR |
Cóptos-católicos:
Os Cóptos-católicos foram enquadrados no Patriarcado de Alexandria (Cairo) em 1895, hoje são 80 mil fiéis.
Etíopes-católicos:
Eles surgiram no século XIX a partir de conversões operadas pelos missionários católicos. Desde 1961 dependem do metropolita de Addis Abeba e contam com cerca de 75 mil féis.
CONCLUSÃO
O Uniatismo não é mais aceito pela Igreja católica como método de expansão eclesial, pois tem a característica de proselitismo e pode dar a entender que a Igreja ortodoxa não se constitui numa verdadeira Igreja.
Não se deve esquecer, porém, do testemunho heróico oferecido pelos uniatas eslavos no tempo do comunismo (1917-1989), quando o Patriarcado de Moscou, equivocadamente, aliou-se à política stalinista e anexou a si as Igrejas Uniatas, abolindo sua hierarquia e apossando-se de seus bens. Vivendo nas catacumbas, sofrendo a perseguição, o martírio, milhares desses católicos testemunharam com o sangue sua fidelidade a Roma.
Tudo isso é página virada da história, mas continuam abertas muitas cicatrizes, especialmente na Ucrânia e na Geórgia e é, ainda hoje, a causa principal do desentendimento entre Roma e Moscou.
PARA REFLETIR
1.º Qual a diferença entre os ortodoxos e os uniatas?
2.º Pesquise sobre a situação atual do relacionamento entre a Igreja católica e as Igrejas Ortodoxas.
3.º Qual o melhor caminho para que aconteça a unidade entre os cristãos?

Martírio: Vitalidade do cristianismo
A palavra grega mártir significa “testemunha” diante de um tribunal mas, com o tempo, ganhou um sentido cristão e ficou reservada para “todo aquele que dá testemunho, mesmo ocasionalmente, mas sempre enfrentando ameaça de morte”.
Mártires: Testemunhas de Fé
Afirma Orígenes (séc. II): “A comunidade de irmãos na fé reservou o nome de mártir para aqueles que deram testemunho de fé em Cristo derramando seu sangue”. O martírio expressa a mais alta identificação com Cristo e realiza a bem-aventurança proclamada por Jesus: “Bem-aventurados sois vós quando vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós por causa de mim... De igual maneira perseguiram os profetas antes de vós” (Mt 5,11-12).
A primitiva comunidade cristã via nos irmãos que perdiam a vida com o martírio um estímulo à perseverança e novos intercessores junto ao Senhor. Os mártires eram o orgulho da fé cristã e seus túmulos se tornavam locais de oração e de veneração.
Acontecia que alguns cristãos eram torturados, derramavam o sangue, mas não morriam. A esses irmãos, com veneração, a comunidade dos cristãos deu-lhes o nome de “confessor”. Eles possuíam um posto eminente na igreja, impunham as mãos e, em alguns lugares, tinham o poder sacerdotal sem necessitar de ordenação: eram os mártires ainda vivos, um privilégio, uma graça de Deus para seu povo.
A vida de um mártir
Para a Igreja não interessa o passado do mártir, o importante é o momento decisivo do martírio. Assim, um santo mártir não é aquele que viveu heroicamente a fé, mas o que heroicamente derramou o sangue por Jesus. Pode ter sido um grande pecador, mau exemplo, mas se aceitou o martírio, mostrou amor heróico e perfeito pelo Senhor.
Também hoje, nos processos de beatificação de um mártir, não se pedem milagres ou virtudes heróicas, mas a certeza de que derramou o sangue por crer em Cristo, o que é a síntese de todas as virtudes heróicas.
O martírio é uma graça, um carisma concedido por Deus apenas a alguns que são chamados ao amor perfeito.
O martírio é o estado místico por excelência: o crente, abandonado aos sofrimentos, adere a Cristo com todas as suas energias, tomado pela potência do Cristo ressuscitado.
Martírio: identificação com cristo
Com o tempo, a Igreja percebeu que há um outro tipo de martírio, incruento, sem derramamento de sangue: é o martírio-testemunho de toda uma vida dedicada à fé e ao evangelho. Toda perfeição cristã tem algo de martírio: a perseverança no bem, a aceitação de afrontas, a dedicação aos pobres e sofredores. O doente que aceita a cruz da dor cotidiana vive uma espécie de martírio em sua identificação com Cristo crucificado.
Assim, o ideal do martírio se estende a todos os estados de vida: religiosa, matrimonial, apostólica, profissional. O missionário, que vive sem medo o perigo da perseguição, é um mártir. A mãe e o pai de um filho deficiente, em sua generosidade e paciência, vivem o martírio. É martir também o jovem que, com firmeza, dá testemunho de sua fé num ambiente hostil.
Igreja de Mártires e de Santos
A glória da Igreja são seus mártires. Trata-se de homens, mulheres, jovens e crianças que a tal ponto amaram a Jesus que não lhes importou sofrer ou morrer. A perseguição que o império romano moveu aos cristãos durante os primeiros 300 anos do cristianismo, não os atemorizou ou diminuiu seu número. Tertuliano, grande teólogo, dizia: “O sangue dos mártires é semente de novos cristãos”.
Por que a perseguição ao cristianismo? Basicamente, porque os cristãos rejeitavam os deuses do império romano e o culto do imperador, já que, para eles, havia um só Deus e um só Senhor e a nenhum outro podiam prestar adoração. Era até oferecida aos cristãos a oportunidade de disfarce: “finje que adora, mas não adore, ofereça incenso para agradar, sem compromisso, e pronto, salve a pele! Pague uma gorjeta, e estamos falados.” A maioria não aceitava isso: antes sofrer e morrer do que não proclamar publicamente o único Deus e seu Filho Jesus.
O martírio era uma prova imensa, pois supunha imensos sofrimentos, angústias, além da morte física: tortura, decapitação, mutilação, ser entregue a animais ferozes e famintos nos circos, ser queimado...
Santo Inácio de Antioquia, antes de ser despedaçado na boca de leões e tigres, dizia: “Triturado por leões, serei como o trigo que é triturado para com ele se fazer o pão da Eucaristia”.
São Potino, bispo de Lyon, com mais de 90 anos, é levado ao tribunal. Apesar de fraco e doente, foi interrogado com dureza, humilhado, surrado, torturado. Nesse estado de dor e feridas é jogado no cárcere, onde morre dois dias depois.
O mártir dá testemunho do valor único de se crer em Jesus: ele é o tesouro, a pedra preciosa, nada vale mais do que ele.
O imperador Constantino, em 313, concedeu liberdade aos cristãos que, apesar da insegurança e perseguições, tinham crescido e se constituíam na maior e melhor força do Império. O segredo dessa força foi dado pelo heroísmo de quase 100 mil mártires.
História de Martírio
As autoridades ficavam impressionadas com a coragem e a simplicidade dos cristãos entregues aos tribunais. São crianças de 11 anos, como a belíssima romana Inês. Em pleno circo, arrancam-lhe as vestes para rirem de sua nudez, mas Deus faz o milagre de os cabelos crescerem. Santa Inês é decapitada.
É o bispo Policarpo respondendo ao juiz que pede que blasfeme: “Eu sirvo a Cristo há 86 anos e ele nunca me fez mal; como posso blasfemar contra o rei que me salvou?”
É um jovem que vai para o martírio tremendo de medo e sua namorada o anima, encoraja, morrendo os dois.
É o jovem Tarcísio que leva a Comunhão aos doentes, escondendo o Pão embaixo da camisa e seus colegas, para descobrirem o que levava, acabam por matá-lo a pedradas.
É o velho bispo que, antes de ser executado, recomenda o cuidado por alguns pobres e doentes dos quais ele cuidava.
É o legionário Basílide (Egito, ano 203) que acompanha Marcela e sua filha Potamiena ao patíbulo e que escuta o agradecimento de Marcela antes de ser morta: “Rezarei por ti ao meu Senhor, para que ele recompense o bem que nos fizeste”. Basílide pede o batismo e serenamente é decapitado.
É a mãe que manda recados a Deus através do filho que será martirizado.
É o senador Apolônio (ano 183), bem humorado, que responde ao juiz que lhe pergunta se estava contente por morrer. Respondeu que não, gostava de viver, mas que preferia a vida eterna. E depois, concluiu: se morre também de febre e disenteria. Ao ser morto vou imaginar que a causa foi uma dessas doenças.
É a jovem Cecília, pretendida por muitos jovens aristocratas, que por nada trai a Jesus. É colocada numa sauna para morrer asfixiada mas, não morrendo, é decapitada.
É o filósofo Justino (séc. II) que, convertido, vai ao palácio do imperador Marco Aurélio defender os cristãos e acaba decapitado.
É o soldado Sebastião, da guarda imperial, que pede o batismo e depois é condenado a morrer a flechadas, amarrado a uma árvore. Pensando que estivesse morto, é abandonado. Os cristãos recolhem o corpo e cuidam bem, pois estava vivo. Sebastião se retraiu? Não! Foi ser catequista, sendo pouco depois martirizado.
Quanta simplicidade nesses santos que nos ensinam que não existe fé sem heroísmo, que não é possível ser cristão e viver na moleza!
Martírio: prova de vitalidade da Igreja
A história mostra claramente que quando a Igreja se instala, vive encostada nos poderosos, não tem mártires. O serviço à verdade e à caridade não combina com o perfume dos palácios. Quando a Igreja não é contestada, questionada ou perseguida, ela deve seriamente se perguntar se está sendo fiel a seu fundador e cabeça, o Cristo crucificado.
Na Idade Média houve no cristianismo grandes movimentos missionários entre os povos bárbaros, eslavos, germânicos e saxões, com numerosos sacerdotes dando a vida pela causa do evangelho.
A partir do século XVI, tiveram início as missões no Oriente, na África e na América. Milhares de missionários deixaram a tranqüilidade européia, atravessaram os oceanos e foram consagrar a existência ao anúncio de Jesus. Muitos deles derramaram o sangue, junto aos seus convertidos: na Coréia, Japão, Vietnã, África, Filipinas, América. Não se conhece uma Igreja que não tenha brotado de um solo fecundado pelo sangue dos mártires.
O Século XX: um século de mártires
Na sua carta para o Terceiro Milênio, João Paulo II se referia a uma realidade do século XX: estamos diante de um novo tempo de mártires, talvez o maior da história do cristianismo, pois nunca tantas pessoas sofreram para serem fiéis à sua fé, como neste século que termina. Nem todos morreram, mas milhões viveram sua fidelidade na insegurança e na privação.
Os novos mártires podem ser englobados em quatro categorias:
- mártires da revolução mexicana (1927-1941) e espanhola (1931-1939),
- mártires do Comunismo (1917-1989),
- mártires do Nazismo e do Fascismo (1933-1945),
- mártires das lutas tribais e étnicas no Burundi, Congo, Sudão, Nigéria e outros países africanos (1990...).
No México e na Espanha foram milhares os religiosos e religiosas, sacerdotes e leigos, sumariamente fuzilados pelo fato de serem cristãos. Não havia processo nem acusação: era o ódio ao cristianismo que levou os mações mexicanos e os republicanos espanhóis a essa carnificina, numa guerra cruel entre filhos de uma mesma nação. Ao grito de “Viva Cristo Rei!”, explodiu no México em 1927 a revolução cristeira, onde milhares de camponeses e índios foram martirizados por quererem continuar cristãos.
O Comunismo materialista conquistou o poder na Rússia em 1917 e, em 1945, em todo o leste europeu; em 1949 a China e o sudeste asiático. A Rússia transformou igrejas em “museus do ateísmo”, enquanto a Albânia proclamou-se o primeiro país ateu do mundo, punindo com fuzilamento o pai que batizasse o filhinho. Diante do possível desaparecimento da Igreja desse país, o Vaticano permitiu a sagração secreta de bispos. A Igreja retornava às catacumbas, como no império romano. Mas as prisões e as mortes não amedrontaram esses heróicos cristãos. Não menos feroz foi a perseguição movida contra os cristãos da China, Vietnã, Coréia, Laos, Camboja, Birmânia...
O Nazismo alemão (1933-1945), a mais inexplicável mancha da história humana, planejava primeiramente a extinção dos judeus (seis milhões), seguindo-se a dos cristãos. Sacerdotes, religiosos e leigos ergueram-se contra esse moderno paganismo que idolatrava o Estado e por isso morrerram. Entre todos esses gloriosos mártires citamos São Maximiliano Kolbe e Santa Edith Stein.
Mártires por causa da Justiça
As últimas décadas do século XX foram enriquecidas pelos mártires que sofreram e morreram por causa da justiça e da paz, de modo especial no Brasil e na América latina. A situação de injustiça no mundo rural e urbano, as ditaduras militares, a falta de terra, a opressão sobre os índios..., desencadeou um profetismo original: ver o rosto de Jesus no injustiçado, optar por ele e por ele dar a vida. Essa opção evangélica tem feito muitos mártires: bispos, religiosos e leigos que derramaram o sangue por causa dos pobres, os preferidos de Deus.
No Brasil, poderíamos citar: o operário Santo Dias, o índio Simão, a agricultora Margarida, os padres Josimo Tavares, Antônio H. Pereira Neto, Ezequiel Ramin, Rodolfo Lukenbein, João Bosco Penido Burnier, Frei Tito Alencar e o seringalista Chico Mendes.
Em El Salvador, o arcebispo Dom Oscar Romero (1980) e os 4 sacerdotes jesuítas da Universidade católica (1989). Também as jovens Igrejas da Ásia e da África tem a alegria de poder apresentar a Deus seus mártires, cristãos justos que heroicamente deram a vida para que outros tivessem mais vida.
Concluindo esta reflexão, motivada pela festa dos Protomártires da Igreja de Roma (30 de junho), pode-se afirmar que um autêntico encontro com Cristo não deixa ninguém indiferente. Ele é quem dá sentido à existência humana. A prova? Os milhões de mártires desses dois mil anos de cristianismo.
Para Refletir
1 - Quem foi o primeiro mártir de Cristo? Por que foi martirizado? Leia At 6,8-15.
2 - Quais são os mártires modernos? Quais as motivações de seu martírio?
3 - O martírio destrói ou fortifica a Igreja? Por quê?

palavra Concílio significa “assembléia reunida por convocação”. É uma instituição tradicional na vida da Igreja desde os tempos apostólicos, quando vimos os apóstolos reunidos em Jerusalém para discutirem a questão da disciplina a ser aplicada aos judeus-cristãos e aos pagãos convertidos à fé cristã.
SÍNODO
Igreja Ortodoxa preferiu a palavra Sínodo para as reuniões eclesiais, o mesmo acontecendo com as Igrejas da Reforma protestante e calvinista.
Após o Vaticano II, a palavra Sínodo adquiriu grande força na organização pastoral da Igreja Católica, que realiza sínodos diocesanos, regionais, nacionais e continentais.
![]() O Concílio de Trento (1545-1563) |
Paulo VI, em 1965, instituiu o Sínodo dos Bispos, uma assembléia internacional de bispos para auxiliar o Papa no governo da Igreja.
O Sínodo Diocesano, a partir de 1983, significa a reunião do bispo com os delegados dos presbíteros, diáconos, religiosos e leigos. É a Igreja que, sobretudo depois do Concílio Vaticano II, se caracteriza como comunhão.
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São Concílios convocados por iniciativa do Imperador que via na unidade da fé um pressuposto para a unidade do Império. Geralmente foram celebrados no Oriente, com escassa participação ocidental. A presença dos legados papais garantia a ecumenicidade do Concílio, como também a autoridade do Concílio dependia da ratificação de Roma. A assinatura final do Imperador tornava as decisões conciliares obrigatórias no Império.
1) Nicéia (325): Condenou Ario e formulou o Credo niceno. Definiu que o Verbo, Jesus, é Deus verdadeiro, gerado de Deus verdadeiro, e tem a mesma substância do Pai.
2) Constantinopolitano I (381): Reafirmou o Credo niceno e condenou Apolinário. Proclamou que o Espírito Santo procede do Pai e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado.
3) Éfeso (431): Condenou Nestório e aprovou as Cartas de Cirilo. Maria é Mãe de Deus (Theotokos).
4) Calcedônia (451): Condenou Êutiques e formulou uma profissão de fé cristológica: Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, tem uma só pessoa (divina) em duas naturezas (divina e humana), sem divisão nem separação. Da não aceitação das decisões conciliares surgiram as Igrejas “monofisitas”. Elas afirmam que em Jesus há uma única natureza.
5) Constantinopolitano II (553): Condenou os “Três Capítulos” (escritos filo-nestorianos) e rejeitou o origenismo. Sublinhou a unidade da Pessoa do Verbo encarnado.
![]() O Concílio de Nicéia (325) |
6) Constantinopolitano III (680-681): Condenou o monotelismo, reafirmando as duas naturezas da única Pessoa de Cristo, para afirmar a existência, nele, de suas vontades (divina e humana).
7) Nicéia II (787): Condenou o iconoclasmo (proibição do culto às imagens): justificando o culto das imagens (ícones), naturalmente culto de honra e não de adoração. Foi um grande problema na vida da Igreja oriental.
8) Constantinopolitano IV (869-870): Condenou Fócio, patriarca de Constantinopla. Decisão não aceita pelos ortodoxos, pois viram nessa atitude de Roma uma intromissão ilegítima na vida de um outro Patriarcado.
Os sete primeiros Concílios ecumênicos detêm uma autoridade própria por representarem a vida da Igreja una e indivisa do primeiro milênio.
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Receberam o nome de “ecumênicos” mas, na verdade, prevaleceu o costume de denominá-los Concílios Gerais da Igreja do Ocidente, pois foram celebrados após o cisma de 1054 entre a Igreja católica e a ortodoxa, entre Oriente e Ocidente.
OS CONCÍLIOS MEDIEVAIS
9) Lateranense I (1123) - Celebrado em São João de Latrão. Este concílio limitou o poder imperial na vida interna da Igreja e acentuou a centralização da Igreja em Roma.
10) Lateranense II (1139) - Condenou Arnaldo de Bréscia e publicou os decretos de reforma.
11) Lateranense III (1179) - Discutiu os procedimentos para a eleição de um Papa.
12) Lateranense IV (1215) - Condenou o maniqueísmo, a publicação dos decretos de reforma e instituiu o Tribunal da Inquisição para o combate à heresia. Foi o maior Concílio medieval e sinalizou o apogeu do poder papal.
13) Lyon I (1245) - Destronizou Frederico II, imperador insubmisso à autoridade papal.
14) Lyon II (1274) - Buscou reunificar a Igreja oriental e ocidental, mas com sucesso limitado. Procurou-se solucionar as questões disciplinares na vida da Igreja e alargar a ação reformadora dos papas. Cresce o poder pontifício.
![]() O Concílio Vaticano II (1962-1965) |
15) Vienne (1311-1312) - Discutiu o problema da Ordem dos Templários, vítimas de acusações injustas, a cobiça dos reis e a pobreza franciscana.
16) Constança (1414-1417) - Fim do grande Cisma do Ocidente, mas logo tornado sem efeito, pois a Igreja passa a ser governada por dois – num tempo três - papas.
17) Ferrara-Florença (1437-1439) - Buscouse alcançar a reunificação com a Igreja do Oriente, mas, devido aos condicionamentos políticos – Constantinopla necessitava da ajuda militar do Ocidente contra os turcos – não foi aceito pelo povo e pelo clero bizantino. Em 1453 Constantinopla caiu nas mãos dos turcos, terminando o Império Romano do Oriente.
18) Lateranense V (1512-1517) - Debateu-se a reforma da Igreja, assolada pela corrupção em Roma e em muitas dioceses e mosteiros. As decisões sobre a reforma foram ignoradas porque atingiam privilégios da Cúria romana e o papa estava mais preocupado com a política eclesiástica. O final do Concílio coincide com o início da pregação reformadora de Martinho Lutero.
OS CONCÍLIOS DA ERA MODERNA
19) Trento (1545-1563) - Os bispos deram uma resposta satisfatória e possível às questões teológicas suscitadas pela Reforma protestante. Foi o grande Concílio que iniciou a Contra Reforma, isto é, a verdadeira reforma da vida interna da Igreja, salientando-se a missão espiritual e pastoral dos bispos e padres. Marcou a fisionomia da Igreja até nossos dias.
20) Vaticano I (1869-1870) - Convocado por Pio IX em meio aos ataques do racionalismo,positivismo e socialismo, na iminência da conquista de Roma que pôs fim aos Estados Pontifícios, afirmou a origem divina da Revelação e sancionou a infalibilidade papal em questões de fé e de moral, centralizando o catolicismo na pessoa do Papa.
21) Vaticano II (1962-1965) - Convocado por João XXIII e concluído por Paulo VI, procurou responder aos grandes desafios postos à vida da Igreja pela modernidade. Eminentemente pastoral, o Vaticano II deu à Igreja um novo modo de olhar o mundo (ser solidária), os outros cristãos (ecumênica), as outras religiões (dialogante). Igreja Povo de Deus, servidora do mundo e da humanidade. Deu um grande impulso na renovação da vida interna da Igreja, dos estudos bíblicos e da liturgia.
PARA REFLETIR
1- Qual a importância dos Concílios na Igreja Católica?
2 - Quais foram as maiores conquistas do Concílio Ecumênico Vaticano II?
Quem sou eu
- Pe.Edson Ausier.
- Manaus, Amazonas, Brazil
- Sou um Padre Católico da Arquidiocese de Manaus.















Que padre?













